sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Blogagem Coletiva - Desmistificando a fantasia do "menor trabalhador"



"Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão"


É da nossa conta!


Convidada para a Blogagem Coletiva "É da nossa Conta!", campanha realizada a convite do Promenino Fundação Telefônica em parceria com Unicef e OIT, passei os 3 primeiros dias apenas lendo os blogs que aderiram à campanha. Como "Trabalho" sempre foi um tema apaixonante para mim, precisava concatenar minhas ideias, para responder as minhas perguntas, sem descambar em um texto excessivamente "jurídico" - afinal, esse é um blog materno...
Hoje, lendo o post da Monika, encontrei o "ponto de incômodo" sobre o qual queria escrever: o fato de que as histórias lindas e dignificantes da minha família, contadas pelos meus avós e pais, são, quase sempre, histórias de trabalho infantil, seja sobre o meu avô criando seus irmãos após a falência e morte do meu bisavô, ou sobre meus tios, todos formados, que trabalhavam para ajudar em casa e nos estudos.
Algo mudou? O que mudou? Ou nunca mudou, e todas as pessoas estão erradas?
As ideias que passam de pai para filho, com variáveis e desdobramentos, são basicamente essas:

1 - O trabalho complementa a escola, preparando para a vida;
2 - O trabalho ensina a criança a lidar com o dinheiro e com a responsabilidade;
3 - O trabalho afasta das drogas e violência.

Partindo dessas ideias internalizadas, que, ainda que contra a vontade racional de condenar, nós inconscientemente aplaudimos, cheguei a uma EXCELENTE obra, cuja leitura recomendo do início ao fim. Chama-se "Trabalho Infantil na Terceira Revolução Industrial", do autor Honor de Almeida Neto. Vou tentar passar o básico que processei da leitura parcial, desde já pedindo perdão ao autor por trabalhar livremente seu texto depois de ler apenas partes do seu livro...
Um autor que adoro, chamado Rodrigues Pinto, fala em seu texto "O trabalho como valor" sobre como a primeira organização a que o ser humano aderiu foi a família, voltada à satisfação de suas necessidades através do labor. Em sua primeira definição, portanto, trabalho era um valor indissociável do ser humano, caminho para a sobrevivência.
Posteriormente, a evolução do trabalho no mundo industrial levou a ser este valor básico agregado a outros valores: econômico, social, moral e jurídico. O trabalho deve ser livre, deve ser útil à sociedade, conduz o homem à felicidade e se trata, simultaneamente, de um direito e dever seus. 
"Em língua de gente", como diz o meu mestre, o trabalho, valor humano vital, é também, nos nossos tempos, (e mais ainda), valor econômico voltado ao lucro, à produção de riquezas que eximam outro de trabalhar (ou que permitam que ele consuma mais).

Estabelecido que "trabalho" não trata hoje apenas do "labor primário", mas de valor econômico, quero voltar a discussão sobre o trabalho infantil. É certo que hoje não se trabalha mais como no tempo do vovô, nem o Heitor trabalhará como eu trabalho. A tecnologia abriu um abismo entre o vovô entregando pão de porta em porta e o pequeno jornaleiro. O vovô, inserido ainda em um universo onde o trabalho essencialmente manual era valorizado como centro da força produtiva, tinha no trabalho precoce uma forma de "crescer na vida", ascendendo na carreira antes dos demais. O seu afastamento da escola, a falta de conhecimento aprofundado de técnicas ou deficiências emocionais não repercutiam no seu futuro. Preciso dizer o que faltará ao pequeno jornaleiro? Informação, desenvolvimento pessoal, autonomia, postura pró-ativa e os demais valores tão em voga na sociedade pós-industrial. Ao jornaleiro, desde muito cedo, destinamos o sub-emprego, o emprego defasado e "substituível". A "escola do trabalho" lhe reservou o seu lugar, preparando-o para uma vida restrita ao trabalho desqualificado, vez que não lhe foi dada a oportunidade de acesso ao estudo técnico adequado para o exercício de melhores funções. Caiu o 1º mito.

A ideia do "trabalho educador", substituto da escola pública defasada, da falta de segurança pública, e da pouca disposição ou tempo do adulto para incutir em seus filhos os valores essenciais ao seu desenvolvimento como ser humano, compõem o outro mito. A criança que trabalha brinca menos, estuda menos, e IMAGINA menos. Imagina? Sim! Sonha menos, cria menos. Exerce trabalhos pouco criativos, normalmente repetitivos, e sente-se cansada "para ser criança", realmente. Por outro lado, prefere o trabalho à escola, visto como "mais fácil". A "responsabilidade", tão festejada, produz stress físico e psicológico precoce que seu corpo ainda não está pronto para suportar. Ela deixa de interagir com o mundo do jeito essencial à sua formação para interagir com um mundo "adultizado".

"Quanto mais as crianças brincam, mais sinapses são formadas por elas. Na construção social da infância, o ambiente rígido limita, em parte, a exploração da realidade, a apreensão saudável da realidade, estimulando muito mais a repetição automática do que desafiando o pensamento. Garantir o tempo do brinquedo, o tempo livre, é fundamental para a formação da estrutura cognitiva da criança" (Almeida Neto, 2007).

E cai o mito 2.

Antes de falar sobre o mito 3, vamos nos perguntar uma coisa: ALGUÉM PENSOU SERIAMENTE EM SUBSTITUIR AS AULAS DE KUMON DO SEU GAROTO POR SERVIÇOS DOMÉSTICOS, GARANTINDO-LHE, COM ISSO, DIGNIDADE? Essa é a mais hilária parte dos mitos relacionados ao trabalho infantil: ele só "dignifica" o filho do pobre. E não me venham contar o caso do colega de escola que foi para o balcão do pai por não estudar: em todos os "causos", tratam-se de menores aprendizes ou adolescentes trabalhadores. Sinceramente... Nunca vi um pai de classe média-alta colocar seu filho menor de 14 anos para trabalhar "como forma de educá-lo". E chegamos ao cerne do problema. O filho do pobre não tem opção.
"Se o trabalho fosse o que essa ideologia proclama, também os filhos de famílias ricas deveriam passar sua infância e adolescência trabalhando" (DIEESE, 2001, citado por Almeida Neto)".
Se o filho do pobre trabalha e ajuda em casa, ele não se droga ou se envolve em roubos. Ele, portanto, é "domado" socialmente, ainda que não lhe sejam dadas as mesmas oportunidades para desenvolvimento.
"É fato que, efetivamente, o trabalho infantil forma, pois tudo forma e forma para alguma coisa, e que, em grande medida, a formação pelo trabalho instaura determinadas competências que a escola obsoleta, atrasada e despreparada, sobretudo para receber crianças oriundas das classes populares, não consegue instigar e despertar. Entretanto, isso não nos autoriza a afirmar que o trabalho infantil substitui a escola e dá conta da formação exigida para um futuro ingresso favorável desta potencial mão-de-obra em um mercado, cujo ritmo de mudanças e exigências é cada vez maior. Este é um mito "clássico" do trabalho infantil, preso à noção de emprego, obsoleto em relação às novas exigências da sociedade pós-industrial (idem, ibidem)".

E vamos, assim ao mito 3.

O que deve afastar nossas crianças, pobres ou ricas, da violência e das drogas? É certo que, tolhendo-lhes o acesso ao desenvolvimento pessoal e ao crescimento pela educação (toleradamente precária), resolveremos o problema do contato dessas crianças e adolescentes com drogas ou violência? Certo que não. A criança cansada para fazer a lição, supostamente sem tempo para o "caminho errado" é só uma criança duplamente violentada. Se não há boa educação e a violência está nas ruas; se seus pais não podem lhes orientar por sobrecarga de trabalho; então não apenas essa deficiência sofrerão, como lhes condenaremos a trabalhos manuais sem qualificação, à repetição do analfabetismo dos seus pais, ao sub-desenvolvimento de suas capacidades?

Precisamos, em primeiro lugar, educar nossos filhos. Ensinar-lhes VALORES. Prestar atenção neles, durante o tempo livre que nos resta. Esse é um mal dos novos tempos, entre pobres e ricos. Olhamos pouco para nossas crianças, deixamos pouco que elas sejam crianças: as "ADULTIZAMOS". Achamos bonitinho quando elas conversam como adultos, usam pranchinhas e reclamam do formato dos seus narizes. Querem ser perfeitas. Esquecemos delas na frente da TV, e elas sabem perfeitamente quem é Carminha e o que ela fez a Tufão. Falamos sobre problemas pessoais com nossas crianças, "sendo sinceros". Praticamos alienação parental. Acabaram-se, enfim, os "assuntos de criança" e os "assuntos de adultos"...E no final, transferimos descaradamente nossas culpas para "a mídia", essa entidade sem criador.

“O aprendizado depende do nível de desenvolvimento do indivíduo. Ele não pode aprender o que suas estruturas cognitivas ainda não podem absorver” (Piaget).

No mundo das crianças adultizadas e das necessidades básicas negligenciadas à maior parte da população, do consumo desenfreado e pais ocupados, os mitos do trabalho infantil dignificador fizeram a festa.

Ah, e não me digam que não tenho nada com a educação dos filhos alheios. A Constituição Federal diz o contrário, no art. 227, ao afirmar que  dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão". Visto então a carapuça. Estamos todos juntos no panelão da responsabilidade.

É da NOSSA conta!

Há depoimentos maravilhosos nos blogs participantes da Campanha, como o Mãe Digital, Universo Materno ou o Inventando com a mamãe. E continuem a leitura nos outros blogs participantes!

Quero repetir o que a Chris Ferreira disse: "O questionamento 'Por que Deus escolheu?' é uma pergunta de criança, uma pergunta infantil. Hoje a pergunta é 'Por que nós adultos permitimos?'"

Para denunciar situações de trabalho infantil, use o site: http://www.disque100.gov.br ou DISQUE 100.
Promenino nas redes sociais:
     Facebook: https://www.facebook.com/redepromenino
     Twitter: @promenino, ou hashtag #semtrabalhoinfantil

Por fim, mais uma vez recomendo a leitura do início ao fim: http://www.pucrs.br/edipucrs/online/trabalhoinfantil/trabalhoinfantil/trabalho.html


terça-feira, 27 de março de 2012

Segunda jornada - a nova almofada de amamentacão.

Agora é certo: estamos esperando o quarto membro da família! Taí a razão do sumiço.
A descoberta da gravidez coincidiu com a descoberta de uma almofada de amamentação interessante, e mesmo achando cedo para comprá-la, quis aproveitar o frete grátis, tão raro para cá pro Norte do país.
Eu tive uma almofada parecida, estilo Aconchego, copiada de uma amiga que, por sua vez, copiou de um grupo de apoio à amamentação da Bahia, o Calma (que super-recomendo!). Essa almofada aliviou DEMAIS as minhas dores nas costas, pois é bem fofa e comprida, circulava todo o meu corpo. Todavia, emprestei para uma amiga muito querida, que SE APAIXONOU PERDIDAMENTE por ela e me convenceu a vendê-la.

Na verdade, apesar de amar aquela almofadona, eu via um defeito nela: não conseguia guardá-la, por ser muito volumosa.
O achado foi essa almofada das fotos, da Practical Baby, comprada na Bebê Store.

Essa foto é do site deles! Achei bem interessante esse uso da almofada, pois fiz muito isso com a minha antiga almofada, deixando o Heitor sentadão nela, como se estivesse em uma poltrona! :D


Ela vem nessa embalagem, muito boa para armazenar. Fechada desse jeito, fica do mesmo tamanho da máquina de costura.
Nessa foto as duas coisas interessantes que me fizeram comprá-la: o fato dela ser de courino bem maleável, macio e fácil de conservar e limpar (eu vazava bastante leite nos primeiros meses...), e o laço na ponta, que impede que a almofada escorregue durante a amamentação!
Achei a capa de tecido um pouco cara quando comprei, mas quando chegou, notei que o tecido é bem interessante, de difícil desgaste e bem macio. A partir dela vou mandar fazer outras.
Outra vantagem dessa almofada é esse zíper! Com o tempo o recheio das almofadas "murcha", e elas não têm mais a mesma firmeza. Com esse zíper eu posso comprar mais manta acrílica (barato e fácil de encontrar) e enchê-la.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Emagrecimento pós-parto: os tímidos (mas felizes) resultados, seis meses depois!


Bom, comecei a escrever esse relato no grupo de Emagrecimento Pós Parto da Rede Mulher e Mãe, mas foi ficando tão grande que achei melhor tansformar em post e por o link lá!
Como eu já disse antes em outro post, desde março do ano passado me conscientizei que precisava urgentemente emagrecer. Fui a um endocrino, encaminhada pela minha obstetra, à época. Estava então com vinte quilos a mais que o meu peso ideal e dez quilos mais gorda do que quando engravidei do Heitor.
Quando o endocrinologista percebeu que a minha taxa metabólica devia estar muito baixa (já que, como contei, fazia duas refeições por dia, sem lanches, e mais uma hora de jump fit, sem efeito, e ainda sentia cansaço e dores de coluna), me explicou que eu precisava parar para comer de 3 em 3 horas.
A verdade? Se você algum dia já brigou com o seu peso, como eu briguei, sabe que deve comer de 3 em 3 horas. Sabe que deve substituir o leite integral pelo desnatado, o pão comum pelo integral, sabe que deve cortar doces e bebidas alcoólicas. Se você não faz, a solução não está em uma dieta impressa no papel: é preciso extirpar o motivo disso.
Voltando ao "causo", o endocrinologista entãome disse que eu devia ter ido mais cedo até ele (até aqui, concordei), logo depois do bebê ter completado 6 meses, ressaltando que então eu poderia ter tomado logo a medicação que ele me receitaria, parando de amamentar. Eu ressaltei que amamentei até 13 meses e que não faria diferente, e pasmem! Recebi uma bronca (sim, bronca), com a ressalva de que "meu filho precisava menos do leite do que eu de emagrecer". Bom, eu dei um sorriso amarelo e nunca mais voltei. Sei que muita gente vai concordar com ele, afinal, nessa ocasião eu batia o ponteiro na obesidade e estava mesmo muito fraca, mas sou do time que não aceita ouvir de um médico as coisas ditas dessa forma. E sou do tipo que levanta e nunca volta quando as minhas ideias não batem com as do médico...
Ele me encaminhou a uma nutricionista, e simplesmente não gostei da primeira com quem me consultei. Ela me passou mil restrições, me deu aquela dieta "torrada-queijo branco-leite desnatado" de sempre que eu obviamente não consegui seguir e me deixou ainda pior. Estava desestimulada, arrasada, cansada de tudo. Então eu parei de trabalhar por um tempo.
Eu já vinha pensando em fazer isso, mas com a aposentadoria da pessoa que me levou ao orgão onde eu trabalhava, achei que era mesmo a hora, e me preparei para parar nesse momento. Decidi que por um tempo organizaria a minha vida e terminaria tudo que andava pendente. Era junho.
Nesse momento mudei também o meu plano de saúde, e com isso, tive que procurar novos médicos. Em agosto fui a uma nova obstetra, que decidiu levar adiante o plano da sucessora de me fazer emagrecer, mas decidiu utilizar outro método: ela começou tentando resolver as dores de coluna, que eu tomava por "normais" e que iriam" passar com o tempo", conforme todas as mães experientes me contavam (inclusive a minha). Contei da minha desventura com a nutricionista e ela me encaminhou a outra, pedindo que eu contasse a ela todas as peculiaridades da minha rotina, e garantindo que dessa eu iria gostar... E lá fui eu de novo.
Com a nova nutricionista, tudo aconteceu. Fiquei 3 horas esperando por ela e entrei de mal humor. Devo ter dito algo como: "como mal, como pouco, bebo coca-cola zero em excesso e nem adianta cortar; conheço de cor essas dietas 'torradas com cream cheese' e nem adianta me dar aquele papel padrão porque não vou conseguir seguir mesmo". Ela foi um amoooooor, e desde então me chama de "quase-colega" por causa de eu ter dito que conhecia as dietas de cor. Mediu-me, pesou-me, conversou por uma hora e meia perguntando sobre tudo e eu saí de lá achando que as coisas podiam ser diferentes dessa vez.
A obstetra me encaminhou também para 20 sessões de fisioterapia para dores lombares. Simplesmente foi maravilhoso! Já na oitava sessão eu me sentia mais disposta e até conseguia fazer caminhadas longas sem sentir dores. Me matriculei de novo na hidroginástica por recomendação da fisioterapeuta, que me explicou que muito das dores de coluna pós-parto vêm da falta de tônus muscular no abdômen - afinal, passamos mais de nove meses sem contraí-lo e vendo-o esticar...
De início achei que a hidroginástica não iria funcionar, mas descobri um jeito maravilhoso de fazer exercícios físicos: usar um monitor cardíaco. Para quem não sabe, é uma cinta que usamos sob o peito, em conjunto com um relógio, que capta a nossa pulsação. Com ele, é possível saber se estamos, durante o exercício, dentro da chamada "faixa de frequência cardíaca para o emagrecimento", que nada mais é do que 220 menos a sua idade, multiplicado por 65% (para a mínima) até 80% (para a máxima). Ficando entre um número e outro de batidas por minuto, você está certamente emagrecendo. O primeiro valor, de 220 menos a idade é a frequência máxima, da qual você não deve passar durante o exercício.
Eu comprei um Polar FT4, pois ele faz o cálculo das calorias gastas durante o exercício (usando seu peso e idade como variáveis), o tempo total, a frequência máxima atingida e a média. É excelente, mas é meio caro; por outro lado, há excelentes frequencímetros no mercado que garantem o principal: que você fique na faixa ideal durante o exercício. Caiu? Acelera! Subiu? Desacelera!
Antes de ganhar o Polar eu tive esse Oregon, que sempre me atendeu muito bem.
A hidroginástica do Sesi/RR dá como um brinde duas avaliações físicas no ano. Essa avaliação é muito boa, bem completa (o nome certo é bioimpedância), e é possível fazer ela paga também. Ela dá uma dimensão exata do que acontece com o seu corpo. Por exemplo, na primeira avaliação constatamos uma taxa metabólica muito baixa, o que permitiu que a minha nutricionista acrescentasse alimentos, e depois um complemento (que não é indicado para cardíacos, é bom ressaltar...) chamados "termogênicos" na alimentação, como forma de ajudar o meu metabolismo a acelerar, principalmente durante a hidroginástica. Os complementos termogênicos tem cafeína, dão energia e também aceleram os batimentos cardíacos. Com isso, fica mais fácil alcançar a faixa ideal de frequência cardíaca e perder peso.
A avaliação física também detectou, no mês passado, que o quilo que eu ganhei naquele mês (e com o qual eu estava completamente arrasada) foi de massa magra! Não era gordura, era músculo! E me fez voltar com mais pique ao exercício.
Desde agosto, quando estive com a nutricionista, até hoje (seis meses, aproximadamente), eu parei completamente de sentir as dores na lombar e, com isso, me tornei mais ativa; ganhei 2 kgs de massa magra, perdi 7,5 kgs de gordura corporal. Saí da obesidade, onde já tinha chegado, para alcançar o sobrepeso, estando hoje com o mesmo peso que tinha com 6 semanas de gestação. A tal barriguinha, embora tenha diminuído, continua com aquela cara de "barriga de mãe", mas a gente leva.
O mais importante, para mim, é que me sinto hoje muito melhor do que a seis meses atrás. Eu vivia cansada, desanimada e sem energia para fazer as coisas básicas da casa. Catar os brinquedos pelo chão era um sofrimento, e no final do dia eu sentia as dores. Os pés (meu pezinho tamanho 34!), que já sentiam a minha altura (tenho 1,72m), sentiam o peso corporal e doiam muito também.
Hoje eu posso caminhar, pedalar, carregar o Heitor em paz. Não perder mais um dia na chegada para me recuperar das 9 horas de voo também é muito bom.
Eu ainda não me sinto bonita, porque estava fora do peso ideal a relativamente pouco tempo quando engravidei, então, meu corpo ainda busca (hoje com muita dificuldade) aquele peso que eu tinha a quatro anos atrás. Mas sinto-me disposta e capaz de cuidar do meu filho, e isso é, hoje, o mais importante!
Admito que só consegui me organizar de verdade depois que parei de trabalhar... Mas olhando para trás, vejo que foi mais por ter sido o elemento catalizador da mudança do que por falta de tempo antes. No fundo, tudo é uma questão de dar o primeiro passo e não desistir no primeiro fracasso (no no primeiro médico cujo espírito não bateu com o seu...). Há muitas formas de inserir o exercício físico na rotina, seja fazendo um hora de atividade duas vezes por semana em dias úteis, usando o sábado para caminhadas com o monitor cardíaco (três vezes por semana é o mínimo que devemos fazer), ou até usando um equipamento caseiro, daqueles bem "polishop" mesmo, usando ou não o monitor como incentivo e eventualmente fazendo avaliações periódicas, na nutricionista ou através de uma biopedância, para enxergar os resultados e se sentir disposta!
Guardei assim algumas dicas para mim mesma, que são lições que tirei da minha primeira gestação. Sintam-se a vontade para pegar carona e segui-las, caso assim desejem:
  • Não ter pressa de emagrecer, mas não deixar, em nenhuma hipótese, de fazer caminhadas leves, Pilates, Ioga, Hidroginástica ou qualquer outro exercício eficaz, porém suave após o parto, assim que a GO liberar;
  • Tentar usar a cinta pós-parto com mais afinco, ainda que venha a ter de novo a herpes gestacional (essa vai ser difícil...);
  • Solicitar à GO que me encaminhe ao fisioterapeuta, caso sinta dores de coluna. Fazer os exercícios de fortalecimento abdominal que aprendi com a fisioterapeuta mesmo em casa, assim que liberada;
  • Controlar o que como e comer pequenas porções de 3 em 3 horas (alternar lanches com a amamentação). Achar um tempinho para visitar a nutricionista depois do parto.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fazendo uma festa de aniversário infantil com orçamento reduzido: a aventura em Boa Vista.

Depois do aniversário de Heitor organizado pelos meus pais no interior da Bahia, que retratei nesse post de aniversário, fiquei com muita vontade de organizar eu mesma algo para ele aqui em Boa Vista, onde moramos. Quando o Heitor fez um ano, estávamos no RS em viagem, e esse ano, estávamos na Bahia. Com isso, o Heitor nunca tinha tido uma festinha por aqui, o que eu sentia falta.
Diante dos protestos paternos ("duas festas??"), decidi só "pegar carona" na festa de aniversário do pai, acrescentar 10 a 15 convidados e fazer algo MUITO singelo, que não afetasse excessivamente o churrasco do papai. O dia era domingo a tarde, que é um horário ótimo para o Heitor se deixarmos ele dormir bastante pela manhã. O espaço alugado nada tinha de infantil, era uma grande área com churrasqueira e piscina, que ele simplesmente AMA.
Com um orçamento mega apertado, até pelo Heitor já ter tido uma festa grande e não fazer sentido gastarmos em outra festa, aproveitei muita coisa que estava na festa anterior, na Bahia. Aproveitei os biscuits do bolo de lá (menos um, do Peixonauta, que, acreditem, foi levado por um ADULTO!), as pelúcias, aproveitei as bombonieres da mesa, as lixeirinhas coloridas e outras muitas coisas. Caí no Photoshop e tentei repetir a dose dos adesivinhos personalizados. Admito que alguma facilidade com o programa ajudou, mas o efeito, muito melhor do que eu imaginava, me espantou.

Adesivo geral.

Nesse usei um background do Photoshop, mesmo, em degradé, e usei estrelinhas e a do Peixonauta dançando com a Rosa, todas recortadas com varinha mágica. Para a moldura, usei a mesma barra colorida que a Pamela tinha usado na Bahia: para isso eu escaneei, mesmo. A imagem de baixo ESTÁ COM A POSIÇÃO TROCADA, e isso foi um problema na hora de montar... LAPSO!
Esse foi o rótulo da água, feito do mesmo jeito que o rótulo das balinhas. As imagens do Peixonauta estavam no site da Discovery Kids...

Para imprimir, usei folhas adesivas inteiras, impressas na impressora de casa, mesmo, e recortadas com tesoura.Só rótulo não colou muito bem (acho que vale a pena colocar umas gotinhas de cola quente para "ajudar").

Negociei com a empresa de festas infantis a montagem de uma mesa, com um painel de bolas e uma caixa de presente, e registrei que eu levaria os itens. Fiz muitos orçamentos, tirei itens, para que ficasse o mais clean possível e mais barato também. Se eu tivesse conseguido uma mesa grande, teria montado eu mesma, mas hoje admito que não teria conseguido o mesmo efeito...
A única coisa em que não quis economizar foi no bolo. Adooooro bolo de pasta americana, acho lindo, e quando bem feito, como e engordo feliz. Levei os biscuits e pedi um bolo de apenas um andar, tamanho M. Levei um livro do Peixonauta do Heitor para ela se basear, e isso ajudou bastante.
Os doces seriam os tradicionais: brigadeiro, olho de sogra, casadinhos... Tudo gostoso e divertido!
Aluguei uma cama elástica e levei a mesa de desenhos do Heitor, os lápis de cor, giz de cera, massinha de modelar e alguns desenhos do Peixonauta para pintar que imprimi do site da Discovery Kids.
O churrasqueiro, o garçom e os pratos, bebidas e carnes do churrasco foram acertados pelo papai. Hoje eu teria contratado mais um garçom (porque um coordena o encher de copos e afins, e o outro serve), mas o resto esteve perfeito. Fechamos a conta em 50 pessoas, dentre crianças e adultos. Um número ótimo.
Com isso, fui colocar as mãos na massa.
Comprei algumas forminhas e adesivos prontos, da coleção Peixonauta da Regina. Como encontrei poucas, mesclei com algumas das principais cores do desenho (Laranja, azul, verde e amarelo).
Comecei a fazer as coisas aos pouquinhos, com um mês de antecedência. Comprei uns trabalhos prontos de E.V.A. (nuvens, "pirulitos", abelhas e flores amarelas) e utilizando-os como base, fiz algumas coisas também usando E.V.A (um peixonauta pro painel, mais "pirulitos", e flores brancas).
Lembrei de um episódio do Peixonauta ("O Caso das Garrafas Plásticas") em que ele recicla uma garrafa pet, transformando-a em uma mini-tartaruga marinha que o faz lembrar de suas amiguinhas tartarugas! Partindo da ideia do desenho, montei 15 dessas tartarugas, espalhando algumas pelas mesas com balas embrulhadas em papel rococó dentro, e outras na mesa principal.

Preparação das tartarugas... Um pedacinho do rococó faz as manchinhas do casco!

Escolha entre olhinhos feitos de E.V.A. e olhinhos balançantes! A siaminha marrom eu usei para disfarçar a sujeira que a cola quente fez na junção. Não sei mexer muito com cola quente...

Elas, luxando na mesa principal!
 
 Uma ideia de última hora que deu um toque interessante foram os balões de Peixonauta e Rosa na piscina. Bom, nada mais natural, já que eles moram em um lago, que eles estivessem presentes na farra aquática! A Agente Rosa foi muito fácil, mas o Peixonauta deu um trabalhinho... Mas ficou uma graça!

Montando o Peixonauta aquático!
Heitor ajudando!
Propulsores: um retângulo de E.V.A., com as pontas enroladas para dentro!
O rabo!
Heitor, divertindo-se com umadas Rosas!

A turma toda nadando feliz na piscina!
No mais, a mesa ficou muito linda e delicada, vou comentando com as fotos:

Flores brancas eu fiz, as amarelas são compradas. Fazendo a natureza surgir do lixo: uma proposta metafórica pela reciclagem? Atrás das flores estão aqueles pirulitos coloridos redondos!
O adesivo do Chumbo Feliz e os confeitos bastaram em si para decorar desses potes! Os doces foram espalhados pela mesa e também ajudaram a decorar.

As águas, com os rótulos, uma pequena palha amarrada e um botão colado.

A Marina e as guloseimas...
 A lembrancinha, bom, eu tentei imitar ao máximo a da outra festa. Escaneeei e reeimprimi os informativos, ensaquei a terra e a semente. Decorei o vasinho com adesivos (os do centro foram comprados prontos, da Regina), e dei um laço! A etiqueta também foi escaneada como estava na lembrancinha anterior.



As marmitas ajudam a decorar, são baratas, fáceis de fazer (um adesivo colado sobre a tampa) e ajudam a distribuir os doces!
Só sobraram 4 potes de papinha decorados com biscuit, que eu enchi de mini-mashmellows. As colheres de biscuit também foram da outra festa, e como eram apenas quinze, alternei com outro modelo.
Essa foi a colherinha que eu montei. Fácil e rápido: os laços são vendidos prontos e colados às colheres com cola quente!

Esses potes, eu trouxe da Bahia! Hoje estamos usando eles como porta-brinquedos pequenos, ficaram lindos na brinquedoteca! Atrás estão uns livrinhos de colorir, eram apenas dez que restaram da festa baiana, mas deram um toque lindo!

A geral da mesa!

O bolo ficou gostoso e lindo. Colocamos nos bringadeiros de colher um confeito em forma de trevinho que deu um toque todo especial...!

Marshmellows no espeto! Deliciosos e fáceis de montar! Colei as abelhinhas que comprei na ponta de cada saquinho. Esses são sacos um pouco maiores que os de geladinho/sacolé/dim-dim.

Essas sacolinhas eu fiz de véspera, e por isso não foram muitas. Mas foi uma pena, porque são fáceis e as crianças adoraram! Também é muito prático para enviar para crianças que não puderam ir à festa. São saquinhos comprados prontos, com um pouquinho de cada guloseima, um laço de fita e um adesivo. Ficaram uma graça e ajudaram a decorar!

Como vocês viram, eu fiz os rótulos invertidos... Ainda assim salvei, recortando e colando com cuidado um cobre o outro...
A mesa de colorir. A mesa é nossa, e o porta-lápis é uma antiga reciclagem que fiz para o Heitor! Seria um bom cachepô para a festa se eu tivesse tido tempo e garrafas pet para fazê-los! Usa-se base para craquelet na garrafa pet cortada, daí tinta verde musgo e marrom escuro. Espera secar só um pouco e passa a esponja, dando o efeito "casca de árvore". Daí colei folhas artificiais que tirei de um arranjo de casa. Quando eu falo, ninguém acredita que é MUITO fácil, mas é mesmo!

As crianças menores usaram a mesinha tanto para almoçar, como para pintar e brincar!

No final, cheguei a conclusão que menos é mais. Não é mais bonito, não é mais comentado, pois algo assim só pode ser feito com poucos convidados... Mas acho que o Heitor se divertiu mais dessa vez, se sentiu mais à vontade! O segredo foi só escolher BEM o horário segundo a rotina dele, escolher as coisas de que ele gosta (como desenhar e ir ao pula-pula), contrabalancear os brinquedos para que os menores possam ter diversão quando os maiores monopolizam algo... Poucos convidados (hoje acho isso ESSENCIAL, ao menos até certa idade, pois o Heitor ainda se assusta com muita gente desconhecida em torno...), e um ambiente que não é estranho à rotina dele (o Heitor faz natação, temos piscina, então esse é um ambiente que ele curte).
Claro que fazer eu mesma algumas coisas da festa foi uma opção, mas acredito mesmo que dá para qualquer um fazer, com menos ou mais simplicidade, uma boa parte das coisas da festa! A coisa toda ganha um outro gostinho bem especial, de "mamãe-que-fez"! E com isso também conseguimos economizar e dar um toque mais autêntico à decoração.
Para dar uma ideia, mesmo incluindo eventuais gastos que teríamos se tivéssemos que mandar fazer os itens que eu trouxe da Bahia, um orçamento rápido que fiz constatou que a festa da Bahia foi pelo menos cinco vezes mais cara do que a festa de Roraima! Claro, acrescento que TUDO aqui em Boa Vista é mais barato, desde o aluguel de cama elástica (150 lá, 80 aqui) até coisas maiores como buffet e aluguel do espaço... Ainda assim, acredito que podemos pesquisar mais, buscar empresas menores, mais caseiras, e contribuir com nossa criatividade para tudo ficar tão lindo quanto ficaria caso simplesmente deixássemos uma empresa grande cuidar de tudo.

Bom, esses são alguns flashes dele na festa:

Filtro solar em primeiro lugar!

Farra na piscina, no final da festa!

A cama elástica só para mim no fim da festa! Viva!



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Comprando para o segundo bebê: dissecando as famigeradas listas de enxoval...

 
Estava há pouco procurando uma lista de enxoval no Google, uma mais razoável do que todas que usei quando o Heitor nasceu: a lista ideal. A minha intenção era analisar o que eu ainda precisaria comprar, caso tivesse um segundo filho, e "orçar" possíveis gastos de 2013. Sou excessivamente previnida com o dinheiro alheio, e como não estou trabalhando, dedico todo esse respeito ao contracheque do marido amado...
Enfim, encontrei, durante essa procura incessante e inútil, ESSE post do blog Balzaca Materna, escrito pela convidada Daniela Policarpo, do blog Nave Mamãe.

Simplesmente ADOREI a sugestão: rasguem todas as listas de enxoval! A verdade é que mando para minhas amigas que engravidam, quando me pedem, umas cinco listas de enxovais diferentes, e elas provavelmente não entendem o porquê disso. Simples. Cada uma esquece muitos itens úteis e acrescenta outros inúteis. É sempre preciso dissecar, reciclar, enxugar e misturar. Louco.

Meu primeiro surto foi com a lixa de unha. Sério. Haviam nas lojas lixas de unha macias, lixas de metal, todas iguaizinhas as da mamãe, só que menores. Qual é a ideal? Comprei um pacote de macias e uma de ferro. Não usei absolutamente nenhuma delas. Ops, minto. O pacote de macias está na minha bolsa, para emergências...com as minhas unhas. A de ferro, uso eventualmente para abrir potes emperrados, fazer buracos (ela tem uma PONTA!), e coisas assim. Para cortar a unha de Heitor, usei a melhor tesourinha dentre as duas que comprei: a da marca mais barata. Quando ele fez sete meses, passei a usar o cortador de unhas, e desde então, já o substitui duas vezes. O melhor? O mais simples, mais fácil de manusear e menos "trambolhado". E acumulam-se meses de teias de aranha no belíssimo cortador de unhas com LUPA DE AUMENTO!

Muitas listas registravam a necessidade de comprarmos o "bebê conforto" e a "poltrona para auto", assim mesmo. Ninguém explica a uma mãe amantíssima, perdida em um mundo novo que ela provavelmente só usará essa poltrona depois que o bebê não estiver mais usando o bebê conforto, conforme norma do CONTRAN. Sim, a principal utilidade do bebê conforto é transportar o bebê em um automóvel, mas ele pode ser usado fora do carro como apoio e descanso para o bebê. Por isso, o bebê conforto ideal é o mais leve, sem muitos apetrechos, e com um bom preço, já que você só o usará por um ano. Acrescento que, em alguns casos, usa-se por menos tempo, quando o bebê cresce demais e não fica mais confortável no bebê conforto. Nesse caso, convém passar logo para uma poltrona para auto estilo reversível (que pode ser instalada de costas ou de frente), e eventual escolha antecipada não terá ajudado nessa hipótese.

Heitor no bebê conforto, em cima da mesa, pensando no que será da sua vida futura com uma mãe tão lelé que coloca os seus sapatos ao contrário! :D
Algumas listas incluem cadeira de alimentação, mamadeiras, porta-leite em pó, pratos e colheres... Bom, são itens úteis, mas os quais não serão utilizados até a introdução de sólidos, aos seis meses! Pois lá em casa a briga foi feia, já que meu marido fazia questão do cadeirão tradicional e eu queria um booster da Chicco dobrável (o Party). Ninguém ganhou e cada um comprou o seu. Na prática usamos os dois, mas hoje somos unânimes de que o ideal é o booster dobrável. Por motivos óbvios: hoje somos pessoas às voltas com a procura desenfreada por lugares para guardar tantos trecos volumosos em casa....

Encontrei pérolas em minhas listas como "prato e colher termossensíveis" e "prato com ventosa". Devidamente comprados, os termossensíveis nunca serviram para nada (sinceramente, você daria um alimento ao seu filho sem experimentar a temperatura?). O Heitor logo descobriu como soltar a ventosa do prato com ventosa, e ele só faz isso, porque nunca empurrou um prato para o chão, salvo quando era seu "momento-bagunça". E a melhor parte: assim que ele percebeu que comíamos com colheres diferentes, ele rejeitou todas as "suas colheres". Ele gosta de garfo de adulto, colher de adulto, e, creiam, prato de adulto. E lá fomos nós para os Duralex!

Sabe aquela cômoda enorme, linda, na qual guardamos todo o enxoval do bebê? Ela não deu nem pro cheiro. Tive que comprar um armário para o Heitor, e o quarto ficou lotado. Um trocador acoplado em um armário teria sido bem melhor. Ou qualquer outra solução mais consciente...


Porta-mamadeiras térmico: sinceramente, na hora do "socorro, coloca a mamadeira na bolsa de fraldas", nunca usei esse item: usava o bolso interno na bolsa de fraldas. Em uma das minhas bolsas (sim, eu testei quatro!) o bolso era térmico. Mas não faz a menor diferença, porque bebês bebem leite em temperatura muito próxima à ambiente. Não sei se é diferente em locais mais frios, mas aqui virou enfeite de cozinha.

Ah, e a tecla que não para de ser batida: o carrinho de bebê. Comprei um Burigotto trambolhento, que  "fechava com uma mão só". Demorei, mas descobri que todos os carrinhos se dão esse mérito. Esperei Heitor fazer 4 meses e comprei um carrinho-passeio da MacLaren, leve (menos de 5 kg!) e fino como um talo de aipo. FIT!
O bom carrinho, bem fechado, deve lembrar um guarda-chuva, com formato comprido. Pode ser carregado com mais facilidade, não toma grande parte do bagageiro do carro, e a melhor parte: pode ser mantido fechado atrás de uma porta da casa sem obstruir a passagem! São muitas marcas com essas características, e infelizmente a maioria dos carrinhos leves e com fechamento guarda-chuva é somente de passeio - não reclinam bem e só comportam bebês depois dos seis meses. Mas existem carrinhos completos, com multi-recline, lindos e confortáveis, que fecham muito bem, como o Pilko P3 ou o Trevi, da Chicco.
 
Meus cueiros, mantas e cobertores tinham todos a mesma utilidade no dia-a-dia: cobrir o bebê, enrolá-lo para proteção em passeios ou fazer o "charutinho". Dá para colocar todos em uma conta só. Os curtinhos  retangulares mofavam... Os de flanela, serviam para aquecer, mas bons eram os grandes e quadrados. Os maiores, com uns 80 cm de lado, e os com elastano duraram mais tempo.
Mantas de linha com elastano, cobertor de flanela grande e leve, e cueiros quadrados e grandes de malha leve! Adoro!

Cueiro retangular, difícil de enrolar e que fica logo pequeno. São os mais vendidos... E menos úteis.

Os panos de boca e fraldas de pano eu sempre usei para a mesma coisa: para limpar baba, meleca, sujeira de comida, golfada e afins. Como são menores, eram melhores para levar na bolsa em saídas. Já as "fraldas de ombro" eram uma inutilidade só: eram fraldas mais "bonitinhas" que as outras, para "usar no ombro"! Oi? Usei tudo como fralda e pegava a primeira da pilha. Fala sério. No "socorro" da golfada, quem é que ia perguntar o nome da fralda? Eu não.

A coisa mais inútil do meu enxoval são certamente os tais "regurgitadores"! Acredite, quando seu bebê regurgitar de verdade, não vai ser aquela toalhinha boba sutil e discreta no seu ombro que vai segurar a golfada.
ISSO é um regurgitador.

Comprei perfume e shampoo, até descobrir que só poderia usar em Heitor, por um bom tempo, sabonete líquido glicerinado.

Só confiava na minha própria pele para medir a temperatura da água do banho, tendo o "termômetro de banheira" virado um "brinquedinho do Heitor".

A minha banheira inflável virou um brinquedo que o Heitor usa hoje na varanda... Eu particularmente criei uma aversão por banheiras portáteis em geral, pois viajo bastante e sempre foram um problema para montar, usar, secar, guardar... Quando ele era recém-nascido, era complicada de usar, não dava segurança; quando ele cresceu, empurrava muito, levantava-se apoiado na lateral e ela ameaçava virar. Eu acabava deitando o Heitor no meu peito e banhando ele no meu colo, no chuveiro.. Era gostoso, seguro, e rápido! Um dia troco a foto pelo vídeo:
Banho de chuveiro com a mamãe!

Os talcos não são mais recomendados por dermatologistas e pediatras: há risco de inalação pelo bebê. Lenços Umedecidos foram úteis no futuro, mas quase venceram: nos primeiros meses vsó dava para limpar aquele bumbum minúsculo e delicado com água morna e algodão.

Toda roupinha de bebê que fechava atrás era ruim de vestir: imagine-se vestindo ele de frente e em seguida, virando-o de bruços para fechar a roupa... Boas eram as roupas inteiras, como macacões e bodies, por um motivo simples: ao carregar o bebê, a camisa dele costumava "subir", deixando a barriga descoberta...
Todo mundo dizia para não exagerar nas roupinhas de nenhum tamanho em especial, porque "bebês perdem rápido: mas o Heitor usou P pelos primeiros 3 meses! Infelizmente, ultrassom não é bola de cristal... Eu então dei preferência a malhas bem elásticas, como as caneladas, ou modelos "soltinhos", como os chamados "banhos de sol". São "curingas" para qualquer tamanho de bebê. GAMEI!

Bodies: amamos!

 Uma coisa que achei útil e usei foram "capas protetoras". Tanto aquelas para guardar o carrinho e a cadeirinha antes de despachá-los em viagens de avião, como as capas impermeáveis com elástico para o bebê conforto e para o carrinho. Mas isso foi só porque usei eles bastante em viagens. Evitou que eles já estivessem, a essa altura, apodrecidos de papinha e xixi "on the road" ou detonados pelas companhias aéreas brasileiras.
Por outro lado, apesar das minhas amigas jurarem ser algo muito útil, dispenso totalmente o tal "colchonete de carrinho", porque nos primeiros meses usei mesmo foi um travesseiro adulto bem fininho dentro do carrinho, e foi muito melhor, porque evitava que o bebê "escorregasse"! Depois usei um ninho neonato da Burigotto, que fazia o mesmo efeito. Como o carrinho não era mais Burigotto - graças a Deus - o ninho não ficava perfeito. Mas mesmo assim, ficava ótimo.


Carrinho MacLaren com ninho Neonato da Burigotto.
Tem uns itens aos quais só tive acesso depois de muito tempo, e de início achei interessantes. Hoje, não consigo ver a sua praticidade. A capa para amamentação é um deles. Imagino que amamentar em casa com ela não faça sentido. Do mesmo modo, na casa de amigos e parentes: sempre é possível pedir um quarto ou um local privado, caso a mãe tenha vergonha de amamentar na frente dos outros. Agora, imagine a mãe na rua, com um bebê com fome, aos berros. Imagine a bolsa de fraldas já lotada de coisas, trecos, fraldas e afins. Agora, visualize a mãe tirando de lá uma capa para amamentação, desdobrando-a com apenas uma mão, vestindo-a, ajeitando seu bebê e amamentando... Depois, dobrando-a de novo e colocando na bolsa. Deu? Pra mim, não...! E foi por um triz: juro que eu chorava de vontade de ter uma capa dessas!

Na situação mais desconfortável em que já amamentei, coloquei uma fraldinha (sempre ela!) sobre o seio, e enfrentei a situação. O pudor se esvai com o tempo, pois amamentar é natural e lindo, não há motivo para gastar dinheiro e ter tanto trabalho para esconder...

E por fim, o item mais odiado da minha lista: o aspirador nasal. Nunca captou uma única meleca do nariz de Heitor. Tenho dois modelos, Nuk e Kuka. Usamos cotonetes. Me recomendaram um aspirador nasal a pilhas. É ver.

Como sou da fé, posso até experimentar um dia esse e muitos outros itens loucos que me sugerem. Mas acreditem: na maioria das vezes, a regra é essa mesma, rasgue a lista. O que facilitará a vida da mãe ao preparar o enxoval do seu filho é o que ela pode, mesmo mentalizando todas as situações possíveis, se ver usando com qualidade por bastante tempo para compensar o gasto. Conhecer, entender os itens, conversar com outras mães e perguntar como elas faziam. Em seguida, mentalizar-se naquela mesma situação. Só conhecendo a fundo o cotidiano e a natureza de cada um, adicionando-se uma pitada de razoabilidade, é possível afirmar se um item será realmente útil ou não.

Por isso a nossa lista de enxoval hoje é uma lista aberta. Ela é cheia de possibilidades, itens fantásticos (nos dois sentidos da palavra), mas a baliza somos só nós. Sempre com uma boa dose de imaginação, para vislumbrar as possibilidades... ;)

E agora, como um "aperitivo-risadinha" o momento #NOT da minha "lista aberta de enxoval"! Adorei esses itens (#NOT):



Um monitor de distância, alarme e temperatura para Carrinhos? #NOT


Auto-falantes para o bebê ouvir mp3? #NOT

Uma chupeta-mamadeira acoplável no carrinho? #NOT

Uma girafa que segura a mamadeira? :O :O #NOT